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quinta-feira, abril 28, 2005

aqui tão perto de ti

E se o amor
bate as asas e voa sobre nós.
Eu vou ser feliz
Hoje, amanhã e depois.
E se o amor
bate as asas e voa sobre nós

Eu vou ser feliz
aqui, tão perto de ti.


Donna Maria

incongruências

legibilidade s. f., neol., carácter ou qualidade do que é legível.

O português é mesmo assim. Como é que uma palavra que diz respeito ao que é legível é, afinal, tão complicada de ler? Tentem lá pronunciá-la correctamente à primeira! bah!

terça-feira, abril 26, 2005

rufus (ou miss Lisboa) @ coliseu



À sua terceira passagem pela capital foi de vez. Consegui, finalmente, estar na mesma sala que Rufus Wainwright onde o Sr. deu um concerto que, para quem o viu pela primeira vez ao vivo como eu, foi algo do outro mundo. Um som fantástico para uma voz e um conjunto de músicos que me fizeram dar por muito bem empregues os euros do bilhete, de tal forma que hoje, se a noite se repetisse, iria de novo ao Coliseu. É assim, sempre que conseguimos ter tão perto, em carne, osso e voz, alguém que nos habituamos a ouvir num formato bem mais plástico.

Depois de uma primeira parte calma (ou calma demais) feita por Joan As Police Woman, que mais tarde viria a compor o lote de músicos de Rufus, e de uma súbita troca de lugares, porque afinal estávamos mal sentados, eis que ao som de "Agnus Dei" se iniciou o tão esperado concerto onde Rufus nos presenteou, ora acompanhado, ora a solo, com 19 músicas, algumas das quais dedicadas à mãe, ao pai, à irmã e, muito bem, a Jeff Buckley e Elliot Smith. À medida que a noite ia avançando, a postura do músico foi-se tornando mais afável e descontraída. Se de início parecia estarmos perante um Rufus versão possidónio-presunçosa, este soube mostrar que tal não era verdade com divertidas conversas entre as músicas, umas menos (ou nada) católicas que outras, ficando o público a saber, por exemplo, que o comboio onde a mãe de Rufus seguia para um concerto havia atropelado uma vaca ou, nas palavras dele, "my mother's hit a cow!"

A "surpresa" da noite ainda estava para vir. Depois de um primeiro final de concerto, o público pediu e Rufus estava preparado (e de que maneira!) para mais. Regresso ao palco para cantar "Old Whore's Diet" e o início de uma secção do concerto digna das melhores fotos. Rufus ameaçou despir o fato de veludo e a camisa branca com mangas à Mozart, como ele fez questão de referir, e despiu-se mesmo, restando umas cuecas azuis com brilhantes, uma facha de miss onde se lia "Miss Lisboa", umas meias às riscas, uns sapatos de salto alto vermelhos, umas asas de anjo (ou diabo) e uma varinha de fada. Atrás dele, despiram-se todos os músicos que o acompanhavam numa encenação de fazer corar os mais pudicos, ainda que o Sr. Rufus se tivesse preocupado, minutos mais tarde, em verificar se alguém havia ficado chocado com tal cena. Ninguém parece ter ficado até porque goza a seu favor o facto dele ser homossexual assumido e todos (ou quase) os que estiveram ontem no Coliseu pouco parecerem importar-se com isso. Estou convencido que mesmo que se importassem rapidamente o esqueceriam. A voz de Rufus faz esquecer qualquer coisa.

Encenações à parte, a verdade é que Rufus Wainwright provou (para mim não era preciso provar nada) o grande músico e cantor que é. Com uma voz soberba do início ao fim (duas ou três pequenas falhas, apenas), o cantor proporcionou uma grande noite de música que tão cedo não me vai sair da cabeça. Hoje, peguei nos álbuns e ouvi-os todos. Senti-os de forma diferente porque no meu cérebro guardei as "poses" e o jeito de cantar dele. Depois de ontem ficou um medo parvo que senti algumas vezes ao longo do concerto. O medo que o destino faça a Rufus o mesmo que a Elliot Smith ou a Jeff Buckley... Esperemos que não. A música perderia, mais uma vez, tanto...

PS: A foto deste post foi retirada do site Cotonete.

sexta-feira, abril 22, 2005

depois do teste, música

Mais uma etapa vencida. O tão temido e borbulhento teste de linguística já lá vai, a dor de cabeça atenuou e sinto que voltei à minha vida normal: maior disposição para ouvir música, ir beber um café com o pessoal, dar uma corridinha ou pegar na bike e ir até à praia. Mas o melhor de tudo isto é a sensação de dever cumprido. O cansaço foi muito, as dores de cabeça também, os chocolates para compensar as horas de estudo foram aos quilos (pronto, às gramas), mas a recompensa de me sentir bem comigo mesmo é fantástica, independentemente de achar se o teste me correu bem ou mal porque, sinceramente, não o consigo dizer nem gosto muito de especular acerca disso. É como diz o outro: "prognósticos, só no fim do jogo". Tudo isto porque quando estamos com a cabeça ocupada há certos pormenores que nos escapam. Há bocado ia no carro e passou o "Unfinished Simpathy", dos Massive Attack. Já ouvi a música vezes sem conta, mas hoje, não sei se por estar aliviado e com a cabeça mais liberta, a canção soou diferente. Se tivesse sido ontem ou num dia mais confuso, certamente tinha mudado de rádio depois de resmungar acerca de estarem sempre a repetir as mesmas músicas. Hoje não. E de tal forma que cheguei a casa e tive que a ouvir mais algumas vezes.

Domingo vou ver o Rufus ao Coliseu. Felizmente o teste já passou e a cabeça está pronta a receber as músicas daquele senhor. A expectativa é grande. Anseio pelos primeiros acordes e por ver, ao vivo, algumas das canções que me têm acompanhado nos últimos e algo problemáticos tempos. Espero que o senhor Rufus esteja também em forma e nos brinde com aquilo que ele melhor sabe fazer. Depois faço o relato da noite.

sexta-feira, abril 15, 2005

sabedoria parapular

A sabedoria popular é prodigiosa. Os provérbios são disso um exemplo. Pequenas frases que, em poucas palavras, dizem e ensinam muito, de forma genialmente concisa e eficaz. Há muitos e bons exemplos e alguns deles são tão fantásticos que invejo o criador de tais preciosidades. Por outro lado, há uma sabedoria do povo à qual dou o nome de "sabedoria parapular". Nós, os portugueses, somos prodigiosos em muita coisa, mas a capacidade de reinventar vocabulário é uma capacidade só ao alcance de alguns. Hoje, na movimentada aula de Psicossociologia das Organizações, a motivação fugiu para outras paragens e procedemos a uma recolha de pequenas (grandes) pérolas desta capacidade inventiva de algumas camadas (ou cambadas) da população. Aqui está o resultado. Incompleto, eu sei...

As áreas da medicina e da saúde, às quais os portugueses recorrem frequentemente, ocupam a primeira posição no ranking destas reinvenções linguísticas. Comecemos pelos exames. No lugar de endoscopia o povo fala em endocuspia, aquele exame que se faz ao estrombo (estômago), e quando uma mulher não quer engravidar, o povo fala de laqueação de trombas (em vez de trompas) para que esta fique histérica (em vez de estéril). Para os homens à volta dos 40 anos a palavra prósta é a mais utilizada quando se referem à próstata e à doença frequente nesta parte do corpo: o câncaro (ou cancro). Por debaixo da pele temos o escoleto (esqueleto) e há mesmo quem tenha um estômago que dirige o almoço (no lugar de digerir o almoço), que pode bem ter sido uma hamburga (ou hambúrguer). Quando estamos mal de saúde tomam-se medicamentos como o ospegic (aspegic), ao tratar-se dos papéis do casamento temos que recorrer ao resisto civil (em vez do registo civil) e quando vestimos uma camisa que fica bem com as calças dizem que temos roupa a conduzir (ou condizer)...

E há mais, muito mais pérolas como estas. Palavras simples que enriquecem e dão um colorido especial ao nosso léxico. Parabéns aos criadores destes geniais termos.

PS: Pela inspiração e pela ajuda nesta recolha, obrigado à Margarida, à Albertina, à Ivone e à Vera. ;)

quarta-feira, abril 13, 2005

para ouvir

Músicas a descobrir nos próximos dias:

Elefant - Misfit
Kaiser Chiefs - I Predict a Riot; Everyday I Love You Less
Seu Jorge - Rebel Rebel e Life on Mars da OST do Life Aquatic

ando cansado!

Continuo sem perceber porque é que as coisas aparecem todas ao mesmo tempo. A minha vida nas últimas semanas faz-me lembrar loja: pode estar vazia a tarde inteira, mas se entra um cliente, logo surgem mais alguns para dar trabalho. E assim é. Há dias em que tudo parece tão simples e o trabalho é facilitado. Por outro lado, há outros que são tão complicados e trabalhosos que ver-lhes o fim parece algo intangível. Porque é que não há meios termos na nossa vida?

O fim-de-semana foi árduo. Seixalmoda. Sábado trabalhei das 14h às 4h da manhã, vim para casa dormir (mal) umas curtas horas para estar de novo a pé e voltar ao trabalho, pelas 9h da matina... Foi duro, mas valeu a pena. Aquela iniciativa vale a pena porque gosto do ambiente, do espírito, do desafio, do resultado final.

Depois, é a escola que este ano está a dar um trabalho imenso. A cada linha de texto de preparação para o teste de linguística, cresce-me uma borbulha, daquelas que a professora disse que nos iriam aparecer em vésperas da frequência... A continuar assim, nem quero pensar na minha aparência no dia 21... Alguém me aconselha uma boa pomada?
Tudo isto para já não falar no trabalho que... bem, nem vale a pena descrever porque só de pensar no que me espera já fico cansado! Não me importo. Gosto de desafios e este é grande. Resta-me a música. No winamp tocam os Kaiser Chiefs, os moços que vêm fazer a primeira parte dos U2. Gosto disto, é viciante. Faz-me esquecer as tarefas a completar ainda hoje...

sábado, abril 09, 2005

ergam-se bandeiras

"Os portugueses são patriotas!", dizia ontem a professora de história a propósito de um texto escrito por um belga, cujo nome não me vem à cabeça. No escrito, o autor enaltecia o facto dos portugueses, aquando dos descobrimentos, terem sido os mais tolerantes colonizadores do velho continente, defendendo também que o nosso povo era muito patriota. Não consegui resistir e contestei o que acabara de ouvir. Não consigo concordar quando se diz que os portugueses são patriotas. E contra mim falo.

Se pensarmos bem, todos gostamos de viver neste fantástico cantinho à beira mar plantado, com belas praias, com um sol que aqui tem um brilho especial, enquadrado por um céu azul mais azul que outros céus. Gosto de viver em Portugal, sinto-me privilegiado por ter uma capital sem smog, de num pulo estar perto do mar, de não ter guerras nem atentados. Mas será que isso faz de mim – de nós – patriotas? Na minha opinião, não. Porquê? Tão simplesmente porque os portugueses não se defendem, são os primeiros a atacar-se a eles (nós) próprios, exaltam tudo o que é importado em detrimento do que por cá se faz (que ainda é pouco, eu sei), criticam os governantes por dá cá aquela palha, mostrando-se demasiado ocupados com banalidades na hora de ir às urnas e mostrar o que pensam com uma simples, mas muito valiosa, cruz.
Depois, a pedido de um qualquer brasileiro, desatam a comprar bandeiras (alimentando o comércio luso-chinês) numa demonstração de um "patriotismo" ridículo e temporário. Sim, esses que compraram bandeiras e as colocam nas janelas e carros são os mesmos que não respeitam os nossos monumentos, que sujam os espaços verdes, que nada sabem (nem se interessam) pela nossa história e cultura, que não sabem sequer o hino nacional e o seu significado, que escondem a sua identidade quando vão de férias para o estrangeiro, que não sabem ler ou expressar-se num português minimamente correcto... E vêm falar-me de patriotismo? Parem de o afirmar, por favor! Ponham os olhos na vizinha Espanha e na forma como nuestros hermanos defendem (apesar de alguns exageros que para mim são desnecessários) tudo o que é nacional.

Deixemos de ligar apenas ao que se diz e faz lá por fora e tomemos consciência do que fomos e do que somos e do quão grandes podemos ser. Ganhemos a auto-estima que nos falta e ergam-se, dentro de nós, as verdadeiras bandeiras daquilo que é ser Português.