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sexta-feira, junho 17, 2005

toque

Sentimos tanto a falta do toque, que acabamos por colidir uns com os outros só para sentir algo…

Retirado do filme Crash (Colisão)

segunda-feira, junho 13, 2005

adeus Eugénio de Andrade

Uma homenagem a mais uma voz da nossa cultura que hoje se calou.
Para mim, este é um dos poemas mais belos da nossa poesia. Sempre me disse tanto, sem saber muito bem porquê, e por isso quero partilhá-lo com quem ainda não o conheçe.
Aqui fica: "Adeus", por Eugénio de Andrade.

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.

sábado, junho 11, 2005

friday night@sesimbra

Motivo: aniversário da Inês e uma imensa vontade que tinha em espairecer, quanto a mim extensível ao pessoal que ontem, sexta-feira, se juntou e rumou a Sesimbra para uma noite com comida, sangria, barrigas cheias, canecas muito apreciadas pela classe feminina, matrecos, muito mega-beto e uma fantástica "reggie party" ou festa da cabine de som ;)
Para mais tarde recordar, uma curta selecção das muitas imagens captadas na noite de ontem. A próxima saída já está marcada, mas deixo já o aviso: não levarei o carro e alguém vai ter que me trazer (ou levar) para casa...









Legenda (por ordem das imagens): Me, Ivone e Vera; A bela da sangria; o grupo resistente (a aniversariante está de verde); o barzinho da "reggie party"

quinta-feira, junho 09, 2005

home

É bom o conforto que sentimos ao chegar a casa. É bom entrar pela porta, poder gritar o nome de alguém e obter uma resposta que nos diz que está tudo bem. É isso que nos dá a estabilidade roubada pelos dias agitados, cheios e tão vazios... Na maior parte do tempo não nos apercebemos do bem precioso que é ter alguém à nossa espera, mas é nos piores momentos que o reconforto recebido nos faz pensar na importância daquelas pessoas que ali estão todos os dias. Obrigado a elas. São vocês as bussolas que me têm aguentado.

terça-feira, junho 07, 2005

música de viagem



Não sei se é o calor ou se a ansiedade por umas férias que parecem (e estão) distantes, mas dei por mim a ouvir mais uma vez o último dos Blasted e a imaginar todo o ambiente que envolve uma viagem de carro e o percurso por uma estrada que possivelmente me levaria a lado nenhum. Sinto que este é um daqueles álbuns perfeitos para levar no leitor de CD's que ainda não tenho no carro, mas cuja necessidade aumenta de dia para dia, dado o panorama radiofónico que me faz desligar o rádio mais vezes do que nunca (ainda hoje fiz o percurso todo do trabalho a casa sem o ligar; nem pareço eu...)

Não sou fã de catalogar música. Ouço-a e pronto, sabendo que há temas que num dado momento me tocam mais ou menos. O certo é que do nada, ao ouvir o Avatara, mais propriamente o tema "Sun Goes Down", começaram a passar diante dos meus olhos imagens de estradas intermináveis, umas juntas ao mar, outras no meio de montanhas e vales, que me deram uma vontade imensa de pegar na trouxa e fugir para outras paragens. Dei por mim a catalogar este disco como um perfeito companheiro sonoro de viagem, daquelas viagens que sabe bem fazer sem ninguém ao nosso lado (como muitas que já fiz...). Às vezes é quando nos sentimos mais acompanhados...
Lanço o repto: haverá por aí alguém com boas sugestões de música para ouvir enquanto se viaja?

sábado, junho 04, 2005

blog quiz

O repto foi lançado pelo burro e aceite de imediato. Aqui ficam as minhas respostas a este interrogatório, na esperança que o desafio seja aceite pelos outros bloggers.

1 - Tamanho total dos arquivos do meu computador?
Num disco de 40 GB a coisa divide-se mais ou menos assim: 7,26 GB são de música, 1 GB para as coisas da faculdade, 3,8 GB em fotos digitais e 1 GB em trabalhos diversos. O resto é ocupado com software pesado, restando um espaço livre de cerca de 9 GB.

2 - Último disco que comprei?
A greve à compra de CD’s iniciada há algum tempo impede-me de comprar mais música. O último foi o Apontamento, da Margarida Pinto.

3 - Canção que estou a escutar agora?
What is all about, dos Blasted Mechanism. Antecipando a próxima questão, este é um dos meus vícios actuais.

4 - Cinco canções que ouço frequentemente ou que têm algum significado para mim?
Caramba, esta é difícil. De um lado estão aquelas que ouço frequentemente, do outro as que me dizem algo, mas que nem sempre são aquelas que mais ouço. Aqui fica a lista possível, sendo que a maioria são as que ouço regularmente. O resto é conforme o estado de espírito.

Elliot Smith – Junk Bond Trader
Massive Attack - Unfinished Sympathy
4 Hero - Les Fleur
Mesa – Sequela
Tori Amos - Precious Things
Dave Mathews Band – Granny
The Dandy Warhols - Not If You Were The Last Junkie On Earth

5 - Lanço o repto a outros bloggers:
Ah, pois lanço!
where you hide, Musicology, Supposed Former Infatuation Junkie, Junta-te ao Clube

quarta-feira, junho 01, 2005

queria voltar, acordar...

Por nenhuma e por todas as razões, esta é a música que hoje toca em repeat no meu winamp. A Casa. Rodrigo Leão na versão ao vivo com Sónia Tavares (The Gift).

Sentir de novo aquela dor,
A pouco e pouco respirar aquele amor
Que foi vivido e esquecido em segredo
Como ninguém.

Perdoar,
Como perdoar?
Há tanto tempo que eu queria mudar,
Queria voltar.
Acordar,
Deixar o dia passar devagar,
Assim ficar.

Sentir de novo aquele amor,
A pouco e pouco consolar
Aquela dor que foi,
Vivida e sofrida em silencio.

Chegar de novo,
Sentir o amor
Voltar a casa sem pensar
Deixar a luz entrar
Esquecer aquela mágoa sem ter medo
Como ninguém.

Encontrar,
Poder encontrar,
Toda as coisas que eu não soube dar
Saber amar.

Perdoar saber perdoar,
Há tanto tempo que eu queria mudar...
Queria voltar…
Aceitar...
Deixar que o tempo te faça voltar...
Saber esperar…