Mais uma etapa vencida. O tão temido e borbulhento teste de linguística já lá vai, a dor de cabeça atenuou e sinto que voltei à minha vida normal: maior disposição para ouvir música, ir beber um café com o pessoal, dar uma corridinha ou pegar na bike e ir até à praia. Mas o melhor de tudo isto é a sensação de dever cumprido. O cansaço foi muito, as dores de cabeça também, os chocolates para compensar as horas de estudo foram aos quilos (pronto, às gramas), mas a recompensa de me sentir bem comigo mesmo é fantástica, independentemente de achar se o teste me correu bem ou mal porque, sinceramente, não o consigo dizer nem gosto muito de especular acerca disso. É como diz o outro: "prognósticos, só no fim do jogo". Tudo isto porque quando estamos com a cabeça ocupada há certos pormenores que nos escapam. Há bocado ia no carro e passou o "Unfinished Simpathy", dos Massive Attack. Já ouvi a música vezes sem conta, mas hoje, não sei se por estar aliviado e com a cabeça mais liberta, a canção soou diferente. Se tivesse sido ontem ou num dia mais confuso, certamente tinha mudado de rádio depois de resmungar acerca de estarem sempre a repetir as mesmas músicas. Hoje não. E de tal forma que cheguei a casa e tive que a ouvir mais algumas vezes.
Domingo vou ver o Rufus ao Coliseu. Felizmente o teste já passou e a cabeça está pronta a receber as músicas daquele senhor. A expectativa é grande. Anseio pelos primeiros acordes e por ver, ao vivo, algumas das canções que me têm acompanhado nos últimos e algo problemáticos tempos. Espero que o senhor Rufus esteja também em forma e nos brinde com aquilo que ele melhor sabe fazer. Depois faço o relato da noite.
sexta-feira, abril 22, 2005
sexta-feira, abril 15, 2005
sabedoria parapular
A sabedoria popular é prodigiosa. Os provérbios são disso um exemplo. Pequenas frases que, em poucas palavras, dizem e ensinam muito, de forma genialmente concisa e eficaz. Há muitos e bons exemplos e alguns deles são tão fantásticos que invejo o criador de tais preciosidades. Por outro lado, há uma sabedoria do povo à qual dou o nome de "sabedoria parapular". Nós, os portugueses, somos prodigiosos em muita coisa, mas a capacidade de reinventar vocabulário é uma capacidade só ao alcance de alguns. Hoje, na movimentada aula de Psicossociologia das Organizações, a motivação fugiu para outras paragens e procedemos a uma recolha de pequenas (grandes) pérolas desta capacidade inventiva de algumas camadas (ou cambadas) da população. Aqui está o resultado. Incompleto, eu sei...
As áreas da medicina e da saúde, às quais os portugueses recorrem frequentemente, ocupam a primeira posição no ranking destas reinvenções linguísticas. Comecemos pelos exames. No lugar de endoscopia o povo fala em endocuspia, aquele exame que se faz ao estrombo (estômago), e quando uma mulher não quer engravidar, o povo fala de laqueação de trombas (em vez de trompas) para que esta fique histérica (em vez de estéril). Para os homens à volta dos 40 anos a palavra prósta é a mais utilizada quando se referem à próstata e à doença frequente nesta parte do corpo: o câncaro (ou cancro). Por debaixo da pele temos o escoleto (esqueleto) e há mesmo quem tenha um estômago que dirige o almoço (no lugar de digerir o almoço), que pode bem ter sido uma hamburga (ou hambúrguer). Quando estamos mal de saúde tomam-se medicamentos como o ospegic (aspegic), ao tratar-se dos papéis do casamento temos que recorrer ao resisto civil (em vez do registo civil) e quando vestimos uma camisa que fica bem com as calças dizem que temos roupa a conduzir (ou condizer)...
E há mais, muito mais pérolas como estas. Palavras simples que enriquecem e dão um colorido especial ao nosso léxico. Parabéns aos criadores destes geniais termos.
PS: Pela inspiração e pela ajuda nesta recolha, obrigado à Margarida, à Albertina, à Ivone e à Vera. ;)
As áreas da medicina e da saúde, às quais os portugueses recorrem frequentemente, ocupam a primeira posição no ranking destas reinvenções linguísticas. Comecemos pelos exames. No lugar de endoscopia o povo fala em endocuspia, aquele exame que se faz ao estrombo (estômago), e quando uma mulher não quer engravidar, o povo fala de laqueação de trombas (em vez de trompas) para que esta fique histérica (em vez de estéril). Para os homens à volta dos 40 anos a palavra prósta é a mais utilizada quando se referem à próstata e à doença frequente nesta parte do corpo: o câncaro (ou cancro). Por debaixo da pele temos o escoleto (esqueleto) e há mesmo quem tenha um estômago que dirige o almoço (no lugar de digerir o almoço), que pode bem ter sido uma hamburga (ou hambúrguer). Quando estamos mal de saúde tomam-se medicamentos como o ospegic (aspegic), ao tratar-se dos papéis do casamento temos que recorrer ao resisto civil (em vez do registo civil) e quando vestimos uma camisa que fica bem com as calças dizem que temos roupa a conduzir (ou condizer)...
E há mais, muito mais pérolas como estas. Palavras simples que enriquecem e dão um colorido especial ao nosso léxico. Parabéns aos criadores destes geniais termos.
PS: Pela inspiração e pela ajuda nesta recolha, obrigado à Margarida, à Albertina, à Ivone e à Vera. ;)
quarta-feira, abril 13, 2005
para ouvir
Músicas a descobrir nos próximos dias:
Elefant - Misfit
Kaiser Chiefs - I Predict a Riot; Everyday I Love You Less
Seu Jorge - Rebel Rebel e Life on Mars da OST do Life Aquatic
Elefant - Misfit
Kaiser Chiefs - I Predict a Riot; Everyday I Love You Less
Seu Jorge - Rebel Rebel e Life on Mars da OST do Life Aquatic
ando cansado!
Continuo sem perceber porque é que as coisas aparecem todas ao mesmo tempo. A minha vida nas últimas semanas faz-me lembrar loja: pode estar vazia a tarde inteira, mas se entra um cliente, logo surgem mais alguns para dar trabalho. E assim é. Há dias em que tudo parece tão simples e o trabalho é facilitado. Por outro lado, há outros que são tão complicados e trabalhosos que ver-lhes o fim parece algo intangível. Porque é que não há meios termos na nossa vida?
O fim-de-semana foi árduo. Seixalmoda. Sábado trabalhei das 14h às 4h da manhã, vim para casa dormir (mal) umas curtas horas para estar de novo a pé e voltar ao trabalho, pelas 9h da matina... Foi duro, mas valeu a pena. Aquela iniciativa vale a pena porque gosto do ambiente, do espírito, do desafio, do resultado final.
Depois, é a escola que este ano está a dar um trabalho imenso. A cada linha de texto de preparação para o teste de linguística, cresce-me uma borbulha, daquelas que a professora disse que nos iriam aparecer em vésperas da frequência... A continuar assim, nem quero pensar na minha aparência no dia 21... Alguém me aconselha uma boa pomada?
Tudo isto para já não falar no trabalho que... bem, nem vale a pena descrever porque só de pensar no que me espera já fico cansado! Não me importo. Gosto de desafios e este é grande. Resta-me a música. No winamp tocam os Kaiser Chiefs, os moços que vêm fazer a primeira parte dos U2. Gosto disto, é viciante. Faz-me esquecer as tarefas a completar ainda hoje...
O fim-de-semana foi árduo. Seixalmoda. Sábado trabalhei das 14h às 4h da manhã, vim para casa dormir (mal) umas curtas horas para estar de novo a pé e voltar ao trabalho, pelas 9h da matina... Foi duro, mas valeu a pena. Aquela iniciativa vale a pena porque gosto do ambiente, do espírito, do desafio, do resultado final.
Depois, é a escola que este ano está a dar um trabalho imenso. A cada linha de texto de preparação para o teste de linguística, cresce-me uma borbulha, daquelas que a professora disse que nos iriam aparecer em vésperas da frequência... A continuar assim, nem quero pensar na minha aparência no dia 21... Alguém me aconselha uma boa pomada?
Tudo isto para já não falar no trabalho que... bem, nem vale a pena descrever porque só de pensar no que me espera já fico cansado! Não me importo. Gosto de desafios e este é grande. Resta-me a música. No winamp tocam os Kaiser Chiefs, os moços que vêm fazer a primeira parte dos U2. Gosto disto, é viciante. Faz-me esquecer as tarefas a completar ainda hoje...
sábado, abril 09, 2005
ergam-se bandeiras
"Os portugueses são patriotas!", dizia ontem a professora de história a propósito de um texto escrito por um belga, cujo nome não me vem à cabeça. No escrito, o autor enaltecia o facto dos portugueses, aquando dos descobrimentos, terem sido os mais tolerantes colonizadores do velho continente, defendendo também que o nosso povo era muito patriota. Não consegui resistir e contestei o que acabara de ouvir. Não consigo concordar quando se diz que os portugueses são patriotas. E contra mim falo.
Se pensarmos bem, todos gostamos de viver neste fantástico cantinho à beira mar plantado, com belas praias, com um sol que aqui tem um brilho especial, enquadrado por um céu azul mais azul que outros céus. Gosto de viver em Portugal, sinto-me privilegiado por ter uma capital sem smog, de num pulo estar perto do mar, de não ter guerras nem atentados. Mas será que isso faz de mim – de nós – patriotas? Na minha opinião, não. Porquê? Tão simplesmente porque os portugueses não se defendem, são os primeiros a atacar-se a eles (nós) próprios, exaltam tudo o que é importado em detrimento do que por cá se faz (que ainda é pouco, eu sei), criticam os governantes por dá cá aquela palha, mostrando-se demasiado ocupados com banalidades na hora de ir às urnas e mostrar o que pensam com uma simples, mas muito valiosa, cruz.
Depois, a pedido de um qualquer brasileiro, desatam a comprar bandeiras (alimentando o comércio luso-chinês) numa demonstração de um "patriotismo" ridículo e temporário. Sim, esses que compraram bandeiras e as colocam nas janelas e carros são os mesmos que não respeitam os nossos monumentos, que sujam os espaços verdes, que nada sabem (nem se interessam) pela nossa história e cultura, que não sabem sequer o hino nacional e o seu significado, que escondem a sua identidade quando vão de férias para o estrangeiro, que não sabem ler ou expressar-se num português minimamente correcto... E vêm falar-me de patriotismo? Parem de o afirmar, por favor! Ponham os olhos na vizinha Espanha e na forma como nuestros hermanos defendem (apesar de alguns exageros que para mim são desnecessários) tudo o que é nacional.
Deixemos de ligar apenas ao que se diz e faz lá por fora e tomemos consciência do que fomos e do que somos e do quão grandes podemos ser. Ganhemos a auto-estima que nos falta e ergam-se, dentro de nós, as verdadeiras bandeiras daquilo que é ser Português.
Se pensarmos bem, todos gostamos de viver neste fantástico cantinho à beira mar plantado, com belas praias, com um sol que aqui tem um brilho especial, enquadrado por um céu azul mais azul que outros céus. Gosto de viver em Portugal, sinto-me privilegiado por ter uma capital sem smog, de num pulo estar perto do mar, de não ter guerras nem atentados. Mas será que isso faz de mim – de nós – patriotas? Na minha opinião, não. Porquê? Tão simplesmente porque os portugueses não se defendem, são os primeiros a atacar-se a eles (nós) próprios, exaltam tudo o que é importado em detrimento do que por cá se faz (que ainda é pouco, eu sei), criticam os governantes por dá cá aquela palha, mostrando-se demasiado ocupados com banalidades na hora de ir às urnas e mostrar o que pensam com uma simples, mas muito valiosa, cruz.
Depois, a pedido de um qualquer brasileiro, desatam a comprar bandeiras (alimentando o comércio luso-chinês) numa demonstração de um "patriotismo" ridículo e temporário. Sim, esses que compraram bandeiras e as colocam nas janelas e carros são os mesmos que não respeitam os nossos monumentos, que sujam os espaços verdes, que nada sabem (nem se interessam) pela nossa história e cultura, que não sabem sequer o hino nacional e o seu significado, que escondem a sua identidade quando vão de férias para o estrangeiro, que não sabem ler ou expressar-se num português minimamente correcto... E vêm falar-me de patriotismo? Parem de o afirmar, por favor! Ponham os olhos na vizinha Espanha e na forma como nuestros hermanos defendem (apesar de alguns exageros que para mim são desnecessários) tudo o que é nacional.
Deixemos de ligar apenas ao que se diz e faz lá por fora e tomemos consciência do que fomos e do que somos e do quão grandes podemos ser. Ganhemos a auto-estima que nos falta e ergam-se, dentro de nós, as verdadeiras bandeiras daquilo que é ser Português.
terça-feira, março 29, 2005
separar o trigo do joio
Amigos são anjos que nos levantam quando as asas estão machucadas
Confesso que não gosto de frases feitas e, provavelmente numa outra altura, esta não teria o efeito que teve em mim quando a li no msn de uma colega (e amiga). Surgiu no momento certo. Há dias que andava para escrever algo sobre os amigos aqui no blog, mas a inspiração estava ocupada com outras coisas (ou seria mesmo a totalidade do cérebro que esteve ausente?). Sei lá...
Dizem que é nos piores momentos que se vê quem são os nossos verdadeiros amigos (mais uma frase feita... isto tá giro, tá). Nos últimos meses atravessei uma fase conturbada da minha vida e, por razões que não interessam, só alguns daqueles que me são mais próximos souberam o que se passava. Foi um mau momento no qual recorri, mais do que nunca, ao conforto, ao ouvido e às palavras dos meus amigos. As asas estavam amachucadas e eles ajudaram a levantar-me...
Até aqui tudo bem e normal. O engraçado é que, pouco tempo depois, cheguei à conclusão de que algo havia mudado. Tirando dois ou três casos, dei por mim sozinho e completamente posto de parte por pessoas que havia colocado num alto pedestal e que, para mim, eram intocáveis. Enganei-me redondamente e hoje estou simplesmente a cagar-me (perdoem-me a expressão, não voltará a acontecer) para esses pseudo-amigos que se lembram que existimos quando as agendas dos telemóveis assinalam o nosso aniversário...
Curiosamente, vi aproximarem-se de mim outras duas ou três pessoas que, por diversas razões, estavam mais longe. Perdi uns (melhor, perderam-me eles a mim que eu sou bom!) e fiquei a ganhar (e muito) com outros. Estas pessoas ajudaram-me muito e estou-lhes eternamente grato pela força, por existirem, por estarem lá, por terem voltado à minha vida de onde nunca deviam ter saído. Obrigado. Vocês sabem quem são. Este post é para vocês!
Passado o turbilhão, sinto-me renovado e com a minha coerência, algo que sempre defendi com unhas e dentes, intacta. Separei o trigo do joio. Fiquei com os bons, livrei-me dos maus.
PS: Obrigado também à Vera (colega e amiga) pela inspiração. Foi no msn dela que vi a frase com que iniciei este post.
Confesso que não gosto de frases feitas e, provavelmente numa outra altura, esta não teria o efeito que teve em mim quando a li no msn de uma colega (e amiga). Surgiu no momento certo. Há dias que andava para escrever algo sobre os amigos aqui no blog, mas a inspiração estava ocupada com outras coisas (ou seria mesmo a totalidade do cérebro que esteve ausente?). Sei lá...
Dizem que é nos piores momentos que se vê quem são os nossos verdadeiros amigos (mais uma frase feita... isto tá giro, tá). Nos últimos meses atravessei uma fase conturbada da minha vida e, por razões que não interessam, só alguns daqueles que me são mais próximos souberam o que se passava. Foi um mau momento no qual recorri, mais do que nunca, ao conforto, ao ouvido e às palavras dos meus amigos. As asas estavam amachucadas e eles ajudaram a levantar-me...
Até aqui tudo bem e normal. O engraçado é que, pouco tempo depois, cheguei à conclusão de que algo havia mudado. Tirando dois ou três casos, dei por mim sozinho e completamente posto de parte por pessoas que havia colocado num alto pedestal e que, para mim, eram intocáveis. Enganei-me redondamente e hoje estou simplesmente a cagar-me (perdoem-me a expressão, não voltará a acontecer) para esses pseudo-amigos que se lembram que existimos quando as agendas dos telemóveis assinalam o nosso aniversário...
Curiosamente, vi aproximarem-se de mim outras duas ou três pessoas que, por diversas razões, estavam mais longe. Perdi uns (melhor, perderam-me eles a mim que eu sou bom!) e fiquei a ganhar (e muito) com outros. Estas pessoas ajudaram-me muito e estou-lhes eternamente grato pela força, por existirem, por estarem lá, por terem voltado à minha vida de onde nunca deviam ter saído. Obrigado. Vocês sabem quem são. Este post é para vocês!
Passado o turbilhão, sinto-me renovado e com a minha coerência, algo que sempre defendi com unhas e dentes, intacta. Separei o trigo do joio. Fiquei com os bons, livrei-me dos maus.
PS: Obrigado também à Vera (colega e amiga) pela inspiração. Foi no msn dela que vi a frase com que iniciei este post.
segunda-feira, março 21, 2005
amor... um dia
Amor, quantas vezes eu te ouvi dizer
que aqui a gente há-de encontrar
tudo aquilo que sempre quis...
Amor, quantas vezes já te ouvi jurar
Que um dia tudo há-de mudar
E a gente há-de ser feliz e
Havemos de ir para um sítio melhor que aqui
Amor, quantas vezes já te vi tentar
começar mais um dia
e nada parece correr melhor
e o tempo lá fora foge
e a gente aqui
Amor, um dia há-de ter valido a pena
Amor, tudo o que a gente dá
Um dia há-de voltar!
Margarida Pinto
Tudo volta, um dia tudo voltará!
que aqui a gente há-de encontrar
tudo aquilo que sempre quis...
Amor, quantas vezes já te ouvi jurar
Que um dia tudo há-de mudar
E a gente há-de ser feliz e
Havemos de ir para um sítio melhor que aqui
Amor, quantas vezes já te vi tentar
começar mais um dia
e nada parece correr melhor
e o tempo lá fora foge
e a gente aqui
Amor, um dia há-de ter valido a pena
Amor, tudo o que a gente dá
Um dia há-de voltar!
Margarida Pinto
Tudo volta, um dia tudo voltará!
sexta-feira, março 18, 2005
não digas nada
Não, não digas nada
Supor o que dirá a tua boca velada
é ouvi-lo já.
É ouvi-lo melhor que o dirias.
O que és não vem à flor das frases nem dos dias.
Fernando Pessoa
O vicio, a pele arrepiada a cada canção, a vontade de ouvir mais e mais e mais...
Pessoa musicado por Margarida Pinto e Miguel Cardona. Não quero dizer mais nada.
Supor o que dirá a tua boca velada
é ouvi-lo já.
É ouvi-lo melhor que o dirias.
O que és não vem à flor das frases nem dos dias.
Fernando Pessoa
O vicio, a pele arrepiada a cada canção, a vontade de ouvir mais e mais e mais...
Pessoa musicado por Margarida Pinto e Miguel Cardona. Não quero dizer mais nada.
quarta-feira, março 16, 2005
apontamento
É de pérolas como esta que se faz a música nacional que ouço. Margarida Pinto, conhecida por muitos como a voz dos Coldfinger, surge agora com o primeiro trabalho a solo.
Apontamento, o nome do disco, fez-me quebrar a minha greve de comprar CD's. Não consegui resistir, tinha que o ter em casa. E que bem sabe ouvir a Margarida a cantar só em português (a lembrar um dos temas que mais gostei do Lefthand). E que bem sabe ouvir musicados três poemas de Fernando Pessoa e do heterónimo Álvaro de Campos. Algo me diz que o autor iria gostar de os ouvir desta forma. Já vou na terceira audição seguida. Cada vez sabe melhor. Sem palavras. Amanhã vai no discman!
Apontamento, o nome do disco, fez-me quebrar a minha greve de comprar CD's. Não consegui resistir, tinha que o ter em casa. E que bem sabe ouvir a Margarida a cantar só em português (a lembrar um dos temas que mais gostei do Lefthand). E que bem sabe ouvir musicados três poemas de Fernando Pessoa e do heterónimo Álvaro de Campos. Algo me diz que o autor iria gostar de os ouvir desta forma. Já vou na terceira audição seguida. Cada vez sabe melhor. Sem palavras. Amanhã vai no discman!
quarta-feira, março 09, 2005
verde, amarelo... vermelho
Inspirado pelos sons vindos do Brasil e pelas horas (muitas) dedicadas à descoberta desta temática para mais um trabalho, sinto-me capaz de responder a qualquer pergunta sobre a Música Popular Brasileira (MPB).
A maioria dos cantores e bandas portuguesas pensam, quanto a mim de forma errada, que lá por cantarem em inglês conseguirão alcançar mais depressa a tão esperada internacionalização. Errado! Vejamos o caso da MPB. Se a memória não me atraiçoa, tirando os Sepultura e mais um ou dois exemplos, todos os artistas exportados pelo Brasil cantam em "português verde e amarelo" e não em inglês, conseguindo a internacionalização e provando que a língua não é, nem nunca será, uma barreira para a música. Voltando a Portugal, pensando em quem dos nossos conseguiu passar a fronteira, vemos que casos como os Madredeus, Mísia ou Marisa, continuam a cantar na nossa língua e são bem sucedidos lá fora. Porquê?
Depois da pesquisa que este trabalho envolveu, sinto-me mais esclarecido para tentar responder. Em Portugal, a nova geração de músicos parece estar mais preocupada em fazer temas para vender telemóveis, cantando em inglês e imitando (mal) os ídolos estrangeiros. Pensam que, por praticarem um som parecido ao que se ouve além fronteiras, conseguirão ultrapassá-las. Do outro lado, temos os bons músicos, que sabem o que fazer e que pontualmente conseguem internacionalizar-se. A explicação é simples: música igual já há muita lá fora e as escolhas que os estrangeiros fazem provam que querem ouvir coisas diferentes, genuínas, sólidas e não ocas e vazias. Só assim se explica o sucesso dos Madredeus, por exemplo. Pelo contrário, os brasileiros sempre souberam cultivar bem as suas raízes. Ao conhecer a história da MPB, tudo parece encaixar-se e nada, nenhum tema, estilo ou acorde, está desenquadrado do ambiente de cada época. Ainda hoje, mesmo com as influências vindas do exterior, os brasileiros conseguem manter-se fiéis à sua (nossa) língua e respeitar um passado musical que transborda qualidade. Por isso, a sua produção musical é tão forte, as rádios passam 80% de "música made in Brasil" e os artistas são conhecidos fora do país.
Portugal continua e continuará na mesma enquanto se mantiver a cultura do bota abaixo e uma imensa falta de coragem à qual se juntam os lobby's que todos conhecemos e que sufocam aqueles que nunca deviam ser calados. Tirando algumas pérolas pontuais e a velha guarda, a música nacional tornou-se num pântano amorfo no qual a criatividade é substituída pelo "deixa cá ver se fazemos uma musiquinha que soe bem ao ouvido e que possa vender telemóveis, perfumes ou chocolates".
A maioria dos cantores e bandas portuguesas pensam, quanto a mim de forma errada, que lá por cantarem em inglês conseguirão alcançar mais depressa a tão esperada internacionalização. Errado! Vejamos o caso da MPB. Se a memória não me atraiçoa, tirando os Sepultura e mais um ou dois exemplos, todos os artistas exportados pelo Brasil cantam em "português verde e amarelo" e não em inglês, conseguindo a internacionalização e provando que a língua não é, nem nunca será, uma barreira para a música. Voltando a Portugal, pensando em quem dos nossos conseguiu passar a fronteira, vemos que casos como os Madredeus, Mísia ou Marisa, continuam a cantar na nossa língua e são bem sucedidos lá fora. Porquê?
Depois da pesquisa que este trabalho envolveu, sinto-me mais esclarecido para tentar responder. Em Portugal, a nova geração de músicos parece estar mais preocupada em fazer temas para vender telemóveis, cantando em inglês e imitando (mal) os ídolos estrangeiros. Pensam que, por praticarem um som parecido ao que se ouve além fronteiras, conseguirão ultrapassá-las. Do outro lado, temos os bons músicos, que sabem o que fazer e que pontualmente conseguem internacionalizar-se. A explicação é simples: música igual já há muita lá fora e as escolhas que os estrangeiros fazem provam que querem ouvir coisas diferentes, genuínas, sólidas e não ocas e vazias. Só assim se explica o sucesso dos Madredeus, por exemplo. Pelo contrário, os brasileiros sempre souberam cultivar bem as suas raízes. Ao conhecer a história da MPB, tudo parece encaixar-se e nada, nenhum tema, estilo ou acorde, está desenquadrado do ambiente de cada época. Ainda hoje, mesmo com as influências vindas do exterior, os brasileiros conseguem manter-se fiéis à sua (nossa) língua e respeitar um passado musical que transborda qualidade. Por isso, a sua produção musical é tão forte, as rádios passam 80% de "música made in Brasil" e os artistas são conhecidos fora do país.
Portugal continua e continuará na mesma enquanto se mantiver a cultura do bota abaixo e uma imensa falta de coragem à qual se juntam os lobby's que todos conhecemos e que sufocam aqueles que nunca deviam ser calados. Tirando algumas pérolas pontuais e a velha guarda, a música nacional tornou-se num pântano amorfo no qual a criatividade é substituída pelo "deixa cá ver se fazemos uma musiquinha que soe bem ao ouvido e que possa vender telemóveis, perfumes ou chocolates".
sexta-feira, março 04, 2005
contágio funami
Contagiante é a melhor palavra que encontro para definir "Happy Dog", o single de avanço do primeiro álbum do projecto luso-canadiano Funami. Caramba, aquilo é bom! É impossível resistir ao balanço que o tema provoca e ao instantâneo trautear do hipnótico hu hu hu hu hu hu. É incrível como uma aparentemente simples vocalização consegue entrar na nossa cabeça para não mais sair, levando-nos a repetir vezes sem conta, horas (quase dias...) a fio, aquele som. É viciante e não percebo porquê, até porque tenho consciência que já ouvi coisas bem melhores, sem querer com isto dizer que Happy Dog é mau! Pelo contrário, é muito bom mesmo e faz-nos querer saber que outras surpresas nos reserva um trabalho que demorou três anos a preparar.
O vírus está lançado... Em loop, aqui no blog, Funami - Happy Dog. Deixem-se contagiar!
O vírus está lançado... Em loop, aqui no blog, Funami - Happy Dog. Deixem-se contagiar!
segunda-feira, fevereiro 28, 2005
do nada...
Do nada (ou talvez de algum lugar) surgiu uma vontade de ouvir em loop esta música dos The Gift. Sim, eles outra vez...
Give me please five minutes of everything
Those days when you wake up
And there's no one by your side
My arm slides slowly to my left side
And to my right side, there's no one there
To kiss you or to hear you
And you go out of bed
Thinking in those days that you need
You used to talk and talk about
And everything that stops your attention
You used to talk, talk about
Everything
Those days when you walk at the bar
And try to keep a conversation with somebody else
And no one out there you could sit down or walk
There's no one there.
Five minutes of love
Five minutes of hate
Five minutes I try to call your name
Five minutes of passion
And no one knows the right place to go
No meaning or just self-control maybe
And you walk out of there
You need to talk with somebody else
And to know the problems are waiting for
Outside the door
Are waiting for
The clock won't stop
And even if it stops
Five minutes of love
Five minutes of hate
Five minutes I try to call your name
Of passion
Five minutes of everything
Of everything
Maybe you want to talk about old questions
Right next to my ear
But I don't care about those silly things
Cause all I need is five minutes of everything
The Gift - Five Minutes of Everything (Álbum Film)
Give me please five minutes of everything
Those days when you wake up
And there's no one by your side
My arm slides slowly to my left side
And to my right side, there's no one there
To kiss you or to hear you
And you go out of bed
Thinking in those days that you need
You used to talk and talk about
And everything that stops your attention
You used to talk, talk about
Everything
Those days when you walk at the bar
And try to keep a conversation with somebody else
And no one out there you could sit down or walk
There's no one there.
Five minutes of love
Five minutes of hate
Five minutes I try to call your name
Five minutes of passion
And no one knows the right place to go
No meaning or just self-control maybe
And you walk out of there
You need to talk with somebody else
And to know the problems are waiting for
Outside the door
Are waiting for
The clock won't stop
And even if it stops
Five minutes of love
Five minutes of hate
Five minutes I try to call your name
Of passion
Five minutes of everything
Of everything
Maybe you want to talk about old questions
Right next to my ear
But I don't care about those silly things
Cause all I need is five minutes of everything
The Gift - Five Minutes of Everything (Álbum Film)
quinta-feira, fevereiro 17, 2005
música com sabor
Share the songs with a friend, he will know your thoughts, he knows your songs, he brings the light you wish, you need to, it’s the cure to your lonely time. (1977 - The Gift)
Mais uma vez os The Gift servem de mote. Ouvir este tema hoje quando vinha da escola fez-me pensar no facto de como descobrir música já não é o que era. Não que goste mais ou menos de o fazer, mas com o passar dos anos sinto que algo mudou. A evolução a nível de suportes, divulgação e disponibilização de temas trouxe as suas vantagens, mas quanto a mim perdeu-se algo muito importante que tem a ver com o "valor" que atribuímos a uma determinada canção ou álbum.
Lembro-me que no início dos anos 90 – a altura em que "despertei" mais para a música, apesar de nos anos anteriores ter ouvido muita (essencialmente clássica) – as rádios, mais libertas que estavam de todas as contingências actuais, eram o principal veículo através do qual se conheciam coisas novas. Os dias passados a ouvir atentamente as saudosas rádio energia e super fm à espera que determinado tema tocasse para finalmente o gravar em cassete, trazem-me uma grande saudade. Eram horas fantásticas porque durante a espera íamos ouvindo dezenas de outros temas, tomando contacto com um número muito mais alargado de músicas. Nesta altura uma canção valia muito e conseguir gravá-la por inteiro sem os jingles das rádios pelo meio, para depois a reproduzir vezes sem conta, era uma vitória (para já não falar das lutas travadas com a antena para que a captação fosse a melhor). Ainda hoje guardo religiosamente muitas dessas cassetes e recordo-me de muitas das sequências musicais que elas contêm. Sei os temas que vêm a seguir uns dos outros e inclusivamente, em alguns dos casos, consigo lembrar-me dos jingles colocados no meio das músicas de tal forma que hoje, quando ouço alguns desses temas em CD ou nas rádios actuais, dou por mim a identificar o sítio exacto em que entrava o jingle da rádio...
Tudo mudou. Hoje, ouvimos um tema na rádio ou ficamos a conhecê-lo através dos amigos e rapidamente o conseguimos obter via download. Completo, sem jingles pelo meio e com um óptimo som. Ganhámos rapidez, perdemos a magia de aprender a descobrir música e deixamos de saborear a emoção de esperar horas, dias até, para poder ouvir uma canção e disputar com os amigos o grande feito de a ter conseguido gravar. Ouço muita música, mas sinto que antes a coisa era menos plástica, tinha mais calor, mais emoção e um outro sabor mesmo que o som muitas vezes não fosse o desejável. O sabor da descoberta, da partilha, do devorar rádio horas a fio em busca do tal tema, aquele que tanto queríamos ter para ouvir, e ouvir, e ouvir...
Mais uma vez os The Gift servem de mote. Ouvir este tema hoje quando vinha da escola fez-me pensar no facto de como descobrir música já não é o que era. Não que goste mais ou menos de o fazer, mas com o passar dos anos sinto que algo mudou. A evolução a nível de suportes, divulgação e disponibilização de temas trouxe as suas vantagens, mas quanto a mim perdeu-se algo muito importante que tem a ver com o "valor" que atribuímos a uma determinada canção ou álbum.
Lembro-me que no início dos anos 90 – a altura em que "despertei" mais para a música, apesar de nos anos anteriores ter ouvido muita (essencialmente clássica) – as rádios, mais libertas que estavam de todas as contingências actuais, eram o principal veículo através do qual se conheciam coisas novas. Os dias passados a ouvir atentamente as saudosas rádio energia e super fm à espera que determinado tema tocasse para finalmente o gravar em cassete, trazem-me uma grande saudade. Eram horas fantásticas porque durante a espera íamos ouvindo dezenas de outros temas, tomando contacto com um número muito mais alargado de músicas. Nesta altura uma canção valia muito e conseguir gravá-la por inteiro sem os jingles das rádios pelo meio, para depois a reproduzir vezes sem conta, era uma vitória (para já não falar das lutas travadas com a antena para que a captação fosse a melhor). Ainda hoje guardo religiosamente muitas dessas cassetes e recordo-me de muitas das sequências musicais que elas contêm. Sei os temas que vêm a seguir uns dos outros e inclusivamente, em alguns dos casos, consigo lembrar-me dos jingles colocados no meio das músicas de tal forma que hoje, quando ouço alguns desses temas em CD ou nas rádios actuais, dou por mim a identificar o sítio exacto em que entrava o jingle da rádio...
Tudo mudou. Hoje, ouvimos um tema na rádio ou ficamos a conhecê-lo através dos amigos e rapidamente o conseguimos obter via download. Completo, sem jingles pelo meio e com um óptimo som. Ganhámos rapidez, perdemos a magia de aprender a descobrir música e deixamos de saborear a emoção de esperar horas, dias até, para poder ouvir uma canção e disputar com os amigos o grande feito de a ter conseguido gravar. Ouço muita música, mas sinto que antes a coisa era menos plástica, tinha mais calor, mais emoção e um outro sabor mesmo que o som muitas vezes não fosse o desejável. O sabor da descoberta, da partilha, do devorar rádio horas a fio em busca do tal tema, aquele que tanto queríamos ter para ouvir, e ouvir, e ouvir...
quinta-feira, fevereiro 10, 2005
porquê, gripe?
Gripe, constipação, mal-estar, mau-humor e sensações decadentes à parte, eis que regresso ao activo depois desta longa ausência. Que me perdoem os mais assíduos visitantes deste cantinho, mas há alturas em que se torna difícil arranjar tempo, assunto ou mesmo paciência para escrever breves linhas que sejam.
É verdade, a gripe acabou por me atingir deixando-me num estado que há muito não experimentava. Hoje, depois de tudo ter passado, pergunto que raio de doença é esta que nos deita abaixo de tal forma que deixamos de ter paciência para fazer mesmo aquelas coisas que mais gostamos. Tudo se torna tão insuportavelmente irritante que por momentos o pânico invade a nossa mente fazendo temer que as coisas não voltem a ser como antes, que não voltemos a gostar do que gostávamos. É que nem a música sabe ao mesmo e aqueles temas que no momento nos viciam, tornam-se chatos e quase inaudíveis.
Porquê? Alguém me consegue explicar que raio de vírus é este que, além de nos impedir de sair de casa, torna qualquer permanência entre quatro paredes a coisa mais infernal do mundo. E o pior são as soluções que arranjamos para passar o tempo. A primeira acaba sempre por ser a televisão. Ligamos o aparelho, percorremos vezes sem conta os cerca de 50 canais disponíveis e acabamos por parar num dos nacionais. Fiquei a conhecer de trás para a frente o SIC 10 Horas mais o pato amestrado, a Praça da Alegria e a palhaça giroflé (será esse o nome?), o Você na TV e os conselhos para uma boa depilação... O auge foi no Às 2 por 3 quando dei por mim a torcer por uma velhota que estava a jogar a Árvore das Patacas... Enfim! Fiquei com um curso intensivo de programas para donas de casa. É estúpido, mas a gripe parece que nos hipnotiza e obriga a assistir a este tipo de entretenimento. Será que a audiência habitual está num estado de gripe permanente? Começo a pensar que sim...
Volto-me então para a Internet. Mais uma tentativa falhada porque cinco minutos mais tarde já não consigo estar sentado. Ler, ouvir música ou mesmo estudar parecem ser tarefas excessivamente intelectuais para um cérebro que insiste em nada pensar, em nada fazer, em simplesmente não agir! Volto para a televisão. Mais uma rodada pelos 50 canais do cabo para terminar sempre nos mesmos...
Porquê, pergunto eu. Porque nos deixa a gripe neste estado? Felizmente já passou. Voltei ao meu estado normal depois de uma ausência forçada. É bom estar de volta. É bom ser eu!
É verdade, a gripe acabou por me atingir deixando-me num estado que há muito não experimentava. Hoje, depois de tudo ter passado, pergunto que raio de doença é esta que nos deita abaixo de tal forma que deixamos de ter paciência para fazer mesmo aquelas coisas que mais gostamos. Tudo se torna tão insuportavelmente irritante que por momentos o pânico invade a nossa mente fazendo temer que as coisas não voltem a ser como antes, que não voltemos a gostar do que gostávamos. É que nem a música sabe ao mesmo e aqueles temas que no momento nos viciam, tornam-se chatos e quase inaudíveis.
Porquê? Alguém me consegue explicar que raio de vírus é este que, além de nos impedir de sair de casa, torna qualquer permanência entre quatro paredes a coisa mais infernal do mundo. E o pior são as soluções que arranjamos para passar o tempo. A primeira acaba sempre por ser a televisão. Ligamos o aparelho, percorremos vezes sem conta os cerca de 50 canais disponíveis e acabamos por parar num dos nacionais. Fiquei a conhecer de trás para a frente o SIC 10 Horas mais o pato amestrado, a Praça da Alegria e a palhaça giroflé (será esse o nome?), o Você na TV e os conselhos para uma boa depilação... O auge foi no Às 2 por 3 quando dei por mim a torcer por uma velhota que estava a jogar a Árvore das Patacas... Enfim! Fiquei com um curso intensivo de programas para donas de casa. É estúpido, mas a gripe parece que nos hipnotiza e obriga a assistir a este tipo de entretenimento. Será que a audiência habitual está num estado de gripe permanente? Começo a pensar que sim...
Volto-me então para a Internet. Mais uma tentativa falhada porque cinco minutos mais tarde já não consigo estar sentado. Ler, ouvir música ou mesmo estudar parecem ser tarefas excessivamente intelectuais para um cérebro que insiste em nada pensar, em nada fazer, em simplesmente não agir! Volto para a televisão. Mais uma rodada pelos 50 canais do cabo para terminar sempre nos mesmos...
Porquê, pergunto eu. Porque nos deixa a gripe neste estado? Felizmente já passou. Voltei ao meu estado normal depois de uma ausência forçada. É bom estar de volta. É bom ser eu!
sexta-feira, janeiro 28, 2005
5 minutos
Five minutes of love
Five minutes of hate
Five minutes I try to call your name
Of passion
Five minutes of everything
Of everything
Maybe you want to talk about old questions
Right next to my ear
But I don't care about those silly things
Cause all I need is five minutes of everything
The Gift (excerto da letra da música "Five Minutes of Everything")
A vida é feita de vários 5 minutos, uns bons e outros maus. Em 5 minutos pode nascer ou morrer um amor, nascem crianças e morrem pessoas, pratica-se o bem ou o mal, apanha-se ou não o autocarro, entra-se a horas no cinema ou perdem-se as primeiras cenas do filme, ouve-se uma música que nos acalma ou outra que nos irrita profundamente...
5 minutos... Parece pouco. Realmente é muito pouco, mas se pensarmos que a vida é uma soma desses pequenos períodos de tempo que passam a correr de tão curtos que são, o caso muda de figura e aqueles breves minutos ganham uma nova dimensão, uma importância que antes não tinham. 5 minutos podem significar momentos de felicidade ou de profunda tristeza. A vida é feita dessa dualidade de sentimentos e o segredo é gozar os melhores, aproveitá-los ao máximo e deles "sugar" as boas energias para enfrentar os menos bons.
Todos procuramos os tais "five minutes of everything" e eles existem mais do que pensamos. Gastamos 5 minutos a ligar para a pessoa que amamos e outros tantos a ler e-mails divertidos que nos põem bem dispostos. 5 minutos é o tempo que dura o prazer de beber um café, comer um chocolate ou devorar uma peça de fruta. Em 5 minutos lê-se um poema ou um texto que nos enriquece, sonhamos com algo que faz bem, encontramos amigos que já não viamos há anos, partilhamos segredos com quem nos é próximo e ouvimos as suas confidências percebendo o quão importantes somos para essa pessoa. E tudo em apenas 5 minutos. Os tais 5 minutos que passam a correr e que parecem tão fugazes...
A vida é feita de vários 5 minutos. Façamos um esforço para que sejam bons momentos. Afinal, o que precisamos é de 5 minutos de "tudo"...
PS: Obrigado ao blog where-you-hide pela inspiração. Thanks P!
Five minutes of hate
Five minutes I try to call your name
Of passion
Five minutes of everything
Of everything
Maybe you want to talk about old questions
Right next to my ear
But I don't care about those silly things
Cause all I need is five minutes of everything
The Gift (excerto da letra da música "Five Minutes of Everything")
A vida é feita de vários 5 minutos, uns bons e outros maus. Em 5 minutos pode nascer ou morrer um amor, nascem crianças e morrem pessoas, pratica-se o bem ou o mal, apanha-se ou não o autocarro, entra-se a horas no cinema ou perdem-se as primeiras cenas do filme, ouve-se uma música que nos acalma ou outra que nos irrita profundamente...
5 minutos... Parece pouco. Realmente é muito pouco, mas se pensarmos que a vida é uma soma desses pequenos períodos de tempo que passam a correr de tão curtos que são, o caso muda de figura e aqueles breves minutos ganham uma nova dimensão, uma importância que antes não tinham. 5 minutos podem significar momentos de felicidade ou de profunda tristeza. A vida é feita dessa dualidade de sentimentos e o segredo é gozar os melhores, aproveitá-los ao máximo e deles "sugar" as boas energias para enfrentar os menos bons.
Todos procuramos os tais "five minutes of everything" e eles existem mais do que pensamos. Gastamos 5 minutos a ligar para a pessoa que amamos e outros tantos a ler e-mails divertidos que nos põem bem dispostos. 5 minutos é o tempo que dura o prazer de beber um café, comer um chocolate ou devorar uma peça de fruta. Em 5 minutos lê-se um poema ou um texto que nos enriquece, sonhamos com algo que faz bem, encontramos amigos que já não viamos há anos, partilhamos segredos com quem nos é próximo e ouvimos as suas confidências percebendo o quão importantes somos para essa pessoa. E tudo em apenas 5 minutos. Os tais 5 minutos que passam a correr e que parecem tão fugazes...
A vida é feita de vários 5 minutos. Façamos um esforço para que sejam bons momentos. Afinal, o que precisamos é de 5 minutos de "tudo"...
PS: Obrigado ao blog where-you-hide pela inspiração. Thanks P!
terça-feira, janeiro 25, 2005
pesca virtual
Quando pensava que tudo (ou quase tudo) estava inventado a nível da comunicação via internet com aqueles que nos são próximos, eis que vejo surgir mais uma invenção. Chama-se hi5 e, segundo um amigo meu, trata-se de uma rede de amigos onde podemos ver os nossos amigos, e os amigos dos nossos amigos e os amigos, dos amigos dos nossos amigos atingindo a certa altura o auge da coisa: ver pessoas que, basicamente, nada nos interessam e que muito menos iremos conhecer. Já recebi inúmeros convites para me juntar à tal rede de pessoas, mas nem sequer prestei a devida atenção ao conteúdo de tais mensagens.
Não estou armado em velho do Restelo, e muito menos em anti-social, mas gerir as múltiplas conversas que por vezes tenho no messenger dá tanto trabalho que me faz, à partida, não querer mais nenhuma forma de interagir com os meus amigos (via internet) e muito menos andar virtualmente à pesca de pessoas ou a bisbilhotar quem é amigo de quem.
É a violação de privacidade no seu auge. E a culpa é nossa! Vamos deixando que perfeitos desconhecidos tomem contacto connosco, com os nossos gostos, com as nossas relações de amizade, etc. Não vale a pena começarem os queixumes de que vivemos numa sociedade que põe toda e qualquer relação pessoal à margem ou que os valores estão esquecidos ou blá blá blá... Enquanto nos deixarmos levar por estas, quanto a mim, inúteis ferramentas, passando preciosas horas à pesca sabe-se lá de quem, os outros vão dominando e controlando a "carneirada massificada" fazendo o que querem e bem lhes apetece sem necessitar sequer da nossa permissão. Ela já está dada. A culpa é minha, é vossa...
Não estou armado em velho do Restelo, e muito menos em anti-social, mas gerir as múltiplas conversas que por vezes tenho no messenger dá tanto trabalho que me faz, à partida, não querer mais nenhuma forma de interagir com os meus amigos (via internet) e muito menos andar virtualmente à pesca de pessoas ou a bisbilhotar quem é amigo de quem.
É a violação de privacidade no seu auge. E a culpa é nossa! Vamos deixando que perfeitos desconhecidos tomem contacto connosco, com os nossos gostos, com as nossas relações de amizade, etc. Não vale a pena começarem os queixumes de que vivemos numa sociedade que põe toda e qualquer relação pessoal à margem ou que os valores estão esquecidos ou blá blá blá... Enquanto nos deixarmos levar por estas, quanto a mim, inúteis ferramentas, passando preciosas horas à pesca sabe-se lá de quem, os outros vão dominando e controlando a "carneirada massificada" fazendo o que querem e bem lhes apetece sem necessitar sequer da nossa permissão. Ela já está dada. A culpa é minha, é vossa...
quero mais...
É bom quando no meio do caos em que a nossa vida se torna surgem momentos e sensações que há muito não vivenciamos. Na passada quinta-feira, ao apresentar o trabalho de expressão onde, por momentos, regressei ao tempo em que fiz teatro na secundária, senti algo que há muito não experimentava: a sensação de subir ao palco (apesar deste ser um pouco improvisado) depois de um árduo trabalho e de uma noite mal dormida com medo que tudo corresse mal. É engraçado e reconfortante constatar que hoje sinto o mesmo que sentia há 10 anos: a principio, mal se entra em cena, um tremor quase incontrolável seguindo-se uma crescente confiança porque, afinal, a coisa até está a correr bem. No final, a tristeza por tudo ter acabado e a velha sensação de que aquilo que antes parecia ser uma eternidade e um suplício - refiro-me a estar em cima do palco - passou num ápice e soube a pouco.
Depois das palmas, dos elogios e até das críticas, o vazio que nos invade a alma mistura-se com a sensação de dever cumprido, de mais uma etapa ultrapassada, de mais um desafio que, quanto a mim, foi ganho.
Foi bom ter embarcado nesta viagem no tempo. Fez-me relembrar pessoas, situações e experiências com as quais aprendi muito. Já aterrei. Os deveres e a vida assim o ordenam. Vou só ali arrumar a máquina do tempo e volto já!
Depois das palmas, dos elogios e até das críticas, o vazio que nos invade a alma mistura-se com a sensação de dever cumprido, de mais uma etapa ultrapassada, de mais um desafio que, quanto a mim, foi ganho.
Foi bom ter embarcado nesta viagem no tempo. Fez-me relembrar pessoas, situações e experiências com as quais aprendi muito. Já aterrei. Os deveres e a vida assim o ordenam. Vou só ali arrumar a máquina do tempo e volto já!
quarta-feira, janeiro 19, 2005
manifesto DMB
É ao som dos próprios, não em carne e osso (com pena minha) mas em zeros e uns, que escrevo estas linhas. A música inspirou-me. Dave Matthews (com ou sem band) inspira, faz bem à alma, ao ouvido, à mente cansada de mais uma noite dividida entre estudo e trabalhos para a escola. A Margarida fez o favor de me mandar duas faixas do álbum ao vivo. Ouvi, delirei, voltei a ouvir e continuo a ouvi-las em loop. São só duas, eu sei, mas isto é material de primeira e conseguiu tirar-me, para já, a vontade de dormir. Não me importo. Quero ouvir mais!
A professora de comunicação pediu para levarmos um álbum da nossa preferência. Tinha o AM-FM dos The Gift na mala, já o tirei. No seu lugar pus o Everyday. Apenas a caixa porque o CD vai no discman. Sei que amanhã vou acordar com vontade de ouvir. Pode ser que me inspire para mais um dia na escola. Nos dias que correm é o que mais preciso. Inspiração, força...
Vou dormir. Não, vou ouvir mais uma vez! Vá, prometo que é só mais uma (ou duas, ou...)..
Quem não gosta de Dave Matthews não merece ouvir música! (brincadeirinha) Ele é grande! Quero lá saber do sono que vai atacar pela manhã.
A professora de comunicação pediu para levarmos um álbum da nossa preferência. Tinha o AM-FM dos The Gift na mala, já o tirei. No seu lugar pus o Everyday. Apenas a caixa porque o CD vai no discman. Sei que amanhã vou acordar com vontade de ouvir. Pode ser que me inspire para mais um dia na escola. Nos dias que correm é o que mais preciso. Inspiração, força...
Vou dormir. Não, vou ouvir mais uma vez! Vá, prometo que é só mais uma (ou duas, ou...)..
Quem não gosta de Dave Matthews não merece ouvir música! (brincadeirinha) Ele é grande! Quero lá saber do sono que vai atacar pela manhã.
segunda-feira, janeiro 17, 2005
triste rumo (com sabor a pipocas)
Há pessoas muito boas no mundo e penso que me encaixo nesse grupo. Por outro lado, há pessoas com um grau de estupidez tal que qualquer escala existente à face da terra parece insuficiente para o medir. Neste último grupo incluo um gajo (e respectiva febra) que teve a triste ideia de se sentar na mesma fila de cinema onde eu já estava instalado. Além do habitual balde de pipocas (algo que me irrita tanto, mas tanto...) e de um litro de sumo (o homem não ia ver filme, mas antes jantar), fez questão de deixar um lugar vago entre mim e ele, ocupando-o com uma mochila que mais parecia de campismo (talvez para, caso tivesse frio, puxar do saco cama e tapar-se). Até aqui tudo bem não fosse o facto da sala estar lotada e todos os lugares serem preciosos.
Faltavam uns 20 minutos para o início do filme (ou dos anúncios) e entra na sala o arrumador com a função de sentar o melhor possível as pessoas, de modo a não deixar lugares vagos, evitando que quem viesse acompanhado ficasse afastado do seu par. Como é lógico, o rapaz dirigiu-se ao gajo da mochila e pediu para que se sentasse no lugar livre deixando mais cadeiras vagas na ponta da fila. O gajo, além de ficar incomodado, disse que o faria mas apenas quando fosse necessário. Comecei a ferver por dentro, mas calei-me. Daí a pouco, ele lá decidiu mudar-se prometendo ao arrumador que não mudaria de novo. "Daqui não me mexo mais!", foram as palavras que lhe saíram da boca. O pior veio depois quando se tornou necessária uma nova mudança na fila para sentar um casal de namorados. Para lixar o gajo, chamei o arrumador e disse que não me importava de mudar. O gajo olhou-me de lado e aposto que só não me enfiou o balde das pipocas cabeça abaixo porque ficaria sem repasto para acompanhar o suminho ou para dar à boquinha da namorada.
Confesso que tive pena da história não ter dado confusão. Aquele gajo tirou-me do sério e eu, que habitualmente sou calmo, estava mesmo com vontade de o envergonhar frente à restante plateia.
Aquilo irritou-me profundamente. Sei que este episódio comparado com outros é pequeno e insignificante, mas é incrivel como o egoismo já chegou ao mundo descontraído do lazer onde, supostamente, as pessoas estão com um espírito mais aberto, mais calmo, mais cordial, mais descansado e longe da competição com a qual convivem diariamente no trabalho, na escola, no mundo... Triste rumo leva a coisa...
Faltavam uns 20 minutos para o início do filme (ou dos anúncios) e entra na sala o arrumador com a função de sentar o melhor possível as pessoas, de modo a não deixar lugares vagos, evitando que quem viesse acompanhado ficasse afastado do seu par. Como é lógico, o rapaz dirigiu-se ao gajo da mochila e pediu para que se sentasse no lugar livre deixando mais cadeiras vagas na ponta da fila. O gajo, além de ficar incomodado, disse que o faria mas apenas quando fosse necessário. Comecei a ferver por dentro, mas calei-me. Daí a pouco, ele lá decidiu mudar-se prometendo ao arrumador que não mudaria de novo. "Daqui não me mexo mais!", foram as palavras que lhe saíram da boca. O pior veio depois quando se tornou necessária uma nova mudança na fila para sentar um casal de namorados. Para lixar o gajo, chamei o arrumador e disse que não me importava de mudar. O gajo olhou-me de lado e aposto que só não me enfiou o balde das pipocas cabeça abaixo porque ficaria sem repasto para acompanhar o suminho ou para dar à boquinha da namorada.
Confesso que tive pena da história não ter dado confusão. Aquele gajo tirou-me do sério e eu, que habitualmente sou calmo, estava mesmo com vontade de o envergonhar frente à restante plateia.
Aquilo irritou-me profundamente. Sei que este episódio comparado com outros é pequeno e insignificante, mas é incrivel como o egoismo já chegou ao mundo descontraído do lazer onde, supostamente, as pessoas estão com um espírito mais aberto, mais calmo, mais cordial, mais descansado e longe da competição com a qual convivem diariamente no trabalho, na escola, no mundo... Triste rumo leva a coisa...
terça-feira, janeiro 11, 2005
auto-controlem-se! ou talvez não…
A sociedade obriga-nos a um auto-controlo sob pena de, em caso de pisarmos o risco, os meios de controlo vigentes actuarem de forma pouco agradável (sim pessoal da turma, o delírio com o teste de comunicação já chegou aqui ao blog).
A coisa faz algum sentido, mas há alturas em que apetece mesmo quebrar as regras estabelecidas e cometer pequenas loucuras percebendo que, em algumas delas, a experiência não foi o que se esperava. Consigo dar um ou dois exemplos de alguns desses desvarios, alvo de imediata condenação pelos frios olhares da sociedade. Não vale a pena.
A questão é ambígua. Se por um lado, é bom que cada um de nós possua esse auto-controlo como forma de prevenir e evitar comportamentos perigosos e prejudiciais, por outro, esta espécie de salvaguarda social impede-nos de realizar algumas das nossas aspirações mais íntimas que certamente nos fariam sentir bem connosco próprios. Vemo-nos desta forma mergulhados num mundo muitas vezes triste, recalcando desejos, sonhos e transformando o lado do imaginário e do mito que todos possuímos numa vida banal, material e consumista. Acabamos por tomar decisões e adoptar comportamentos e atitudes só porque o auto-controlo assim o exige, colocando de lado aquilo que nos dá orgulho e a sensação de bem-estar. Mas será que em alguns dos casos é preciso ir tão longe assim?
Parafraseando um amigo:
I’m unbreakable when I say I never do that,
but I break when I did something that I’m not proud of.
PS: Já agora, uma dessas pequenas loucuras que queria cometer era atirar-me para dentro de uma piscina de bolas de plástico coloridas que há em alguns Macdonald’s. Vá, condenem-me lá!
A coisa faz algum sentido, mas há alturas em que apetece mesmo quebrar as regras estabelecidas e cometer pequenas loucuras percebendo que, em algumas delas, a experiência não foi o que se esperava. Consigo dar um ou dois exemplos de alguns desses desvarios, alvo de imediata condenação pelos frios olhares da sociedade. Não vale a pena.
A questão é ambígua. Se por um lado, é bom que cada um de nós possua esse auto-controlo como forma de prevenir e evitar comportamentos perigosos e prejudiciais, por outro, esta espécie de salvaguarda social impede-nos de realizar algumas das nossas aspirações mais íntimas que certamente nos fariam sentir bem connosco próprios. Vemo-nos desta forma mergulhados num mundo muitas vezes triste, recalcando desejos, sonhos e transformando o lado do imaginário e do mito que todos possuímos numa vida banal, material e consumista. Acabamos por tomar decisões e adoptar comportamentos e atitudes só porque o auto-controlo assim o exige, colocando de lado aquilo que nos dá orgulho e a sensação de bem-estar. Mas será que em alguns dos casos é preciso ir tão longe assim?
Parafraseando um amigo:
I’m unbreakable when I say I never do that,
but I break when I did something that I’m not proud of.
PS: Já agora, uma dessas pequenas loucuras que queria cometer era atirar-me para dentro de uma piscina de bolas de plástico coloridas que há em alguns Macdonald’s. Vá, condenem-me lá!
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